Três perguntas que todo líder em ascensão precisa responder

Vivemos em uma cultura que recompensa a rapidez, as conquistas individuais e a busca constante por novidades. Assim que conquistamos um lugar à mesa, somos tentados a acreditar que precisamos assumir o controle da situação imediatamente, demonstrar uma autoridade impecável e ter todas as respostas. Agimos como se a liderança fosse uma apresentação, uma corrida para ver quem consegue implementar o indicador mais recente, adotar a tecnologia da moda ou acumular os itens mais impressionantes no currículo.

Mas a verdadeira liderança não se baseia em indicadores superficiais nem em uma postura de autoridade vazia. Ela se fundamenta em resultados consistentes, que podem ser alcançados repetidamente e orientados por princípios.

Eis a verdade: quando tratamos a liderança como uma exigência performática de que uma única abordagem serve para todas as situações, tratamos as pessoas sob nossa responsabilidade como robôs programáveis e criamos ambientes pautados pela obediência, em vez da conexão. A verdadeira liderança, capaz de gerar resultados consistentes, não é uma transformação externa que impomos aos outros. É um alinhamento interno que precisamos descobrir primeiro em nós mesmos.

Por isso, vamos romper com essa armadilha da performance e construir uma cultura que se sustente muito depois de nossa saída. Para isso, precisamos estar dispostos a responder honestamente a três perguntas fundamentais: Quem é você? Quem você está liderando? e Como você está liderando?

​1. Quem é você?

A maioria dos programas de treinamento corporativo, cursos acadêmicos e processos de integração organizacional se concentra inteiramente em moldar sua imagem externa. Eles ensinam o que dizer, como se posicionar e como executar uma estratégia rígida. Raramente pedem que você olhe para trás e compreenda como se tornou a pessoa que é hoje. É por aí que vamos começar.

Se não compreendermos as causas profundas do nosso comportamento (nossas inseguranças, nossos processos de tomada de decisão, o que nos motiva etc.), qualquer treinamento de liderança que recebermos será como pintar por cima da ferrugem. Acabamos nos escondendo atrás de um discurso ensaiado e bem-acabado de que “está tudo bem”, enquanto carregamos um estresse interno que abala nossos lares e nossas equipes.

Aprendi isso da maneira mais difícil no início da minha carreira no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. A verdadeira liderança não começa quando conseguimos eliminar todas as nossas dificuldades, mas quando temos transparência e integridade de caráter suficientes para admitir que não temos todas as respostas. Se você não consegue liderar a si mesmo com absoluta honestidade, nunca conseguirá liderar outras pessoas exercendo uma influência genuína.

Quando temos coragem de revelar quem realmente somos, finalmente estamos preparados para olhar para fora e enxergar de verdade as pessoas que nos confiaram a responsabilidade de orientá-las.

​2. Quem você está liderando?

É muito fácil entrar em uma organização e tratar as pessoas como engrenagens de uma máquina. Muitos de nós trabalhamos muito e fizemos inúmeros sacrifícios para conquistar determinado cargo ou posição. Por isso, esperamos que as pessoas sob nossa liderança simplesmente sigam as ordens e executem nossa visão, sem questionamentos, só porque fomos nós que mandamos. Como aprendi no início da minha carreira, a autoridade associada ao cargo e à patente realmente produz resultados. sacrifícios para conquistar determinado cargo ou posição. Por isso, esperamos que as pessoas sob nossa liderança simplesmente sigam as ordens e executem nossa visão, sem questionamentos, só porque fomos nós que mandamos. Como aprendi no início da minha carreira, a autoridade associada ao cargo e à patente realmente produz resultados.

Mas aqui está o problema: comandar não é o mesmo que influenciar. Nas organizações modernas, especialmente à medida que as gerações mais jovens, como a Geração Z, ingressam no mercado de trabalho, as pessoas já não aceitam orientações vazias, baseadas apenas em relações transacionais. Elas não procuram um chefe que atue de um pedestal de perfeição isolada. Elas anseiam por conexão. Na prática, farão o que você mandar? Sim… e nada além disso.

Se você quer influenciar sua equipe para que ela faça uma diferença real, demonstre iniciativa e criatividade e alcance os objetivos mesmo sem sua supervisão direta, precisa desacelerar, estar verdadeiramente presente, deixar o ego de lado e extrair as melhores respostas da inteligência coletiva das pessoas ao seu redor. Seu trabalho não é ser a pessoa mais inteligente da sala, mas entrar no mundo delas. Descubra o que as entusiasma, compreenda quais desafios estão enfrentando e crie um ambiente de confiança mútua.

Quando dedicamos tempo para realmente conhecer as pessoas da nossa equipe, o próximo passo natural é aprimorar a maneira como as ajudamos a avançar.

​3. Como você está liderando?

É aqui que a ciência da liderança encontra os desafios do dia a dia. Como lidar com a pressão por resultados imediatos e mensuráveis sem deixar de preservar a humanidade da sua equipe? Como implementar novas tecnologias ou executar missões sem permitir que as novidades da moda destruam a cultura da equipe?

Para liderar com eficácia, você precisa aprender a liderar a partir da abundância, e não da escassez. Isso significa estabelecer práticas diárias, como meditação, leitura ou exercícios físicos, para encontrar seu equilíbrio antes de interagir com qualquer pessoa. Ao construir uma reserva pessoal de energia e recursos internos, você deixa de reagir ao caos do ambiente de trabalho a partir de um estado constante de estresse e passa a contribuir com sua equipe a partir de uma fonte que já está abastecida.

Mais importante ainda, a maneira como você lidera determina o legado que deixará. Legado não é apenas uma herança material ou um troféu que você transmite adiante. O verdadeiro legado consiste em garantir a continuidade da organização, preparando a próxima geração e oferecendo os recursos e princípios necessários para que ela alcance resultados consistentes, independentemente da sua presença.

Em última análise, se não estivermos trabalhando ativamente para estabelecer esse padrão de excelência sustentável, estaremos apenas buscando aplausos passageiros para nós mesmos, em vez de liderar pensando no futuro.

A escolha é sua

Em algum momento, todo líder precisa parar de se esconder atrás do cargo, dos indicadores e da própria performance. Precisamos voltar aos fundamentos que realmente funcionam: conexão, autorreflexão e compromisso genuíno em servir.

Você vai continuar correndo atrás da validação passageira proporcionada pela próxima novidade da moda ou está pronto para fazer o difícil trabalho interno necessário para deixar um legado duradouro?

Se quiser se aprofundar nessas três perguntas, conheça meu livro, “Lead Last: Twenty-One Counterintuitive Principles for Becoming an Effective Leader”.

 

 

Sobre o autor: Olaolu Ogunyemi é oficial do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, mentor de liderança e autor premiado. Seu livro mais recente, Lead Last: Twenty-One Counterintuitive Principles for Becoming an Effective Leader, questiona as normas tradicionais para ajudar líderes a gerar um impacto duradouro. Olaolu também é fundador do Parent-Child Connect.com, uma plataforma dedicada a ajudar pais, educadores e líderes a superar adversidades com fé, resiliência e propósito.

Major Olaolu Ogunyemi

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